Blog Simplic

12 março 2018

Cadastro Positivo: um olhar mais justo sobre o crédito

Não é novidade para ninguém a falta de educação financeira no Brasil. Isso gera todos os maus hábitos que atrapalham o dia a dia do consumidor. Muitos se endividam por conta da falta de organização ou mesmo porque calculam equivocadamente o que seu poder aquisitivo pode – ou não – comprar. Por outro lado, há brasileiros que precisam de empréstimos para situações específicas. Seja para uma dívida que logo poderiam sanar ou até mesmo para um investimento. Só que muitas vezes não conseguem esse crédito, já que a maioria das instituições financeiras e bancos ainda limitam suas pesquisas de perfil aos cadastros do Serasa e do Serviço de Proteção ao Consumidor (SPC).
É relativamente comum esquecer de pagar uma conta de luz e ficar com o nome ‘sujo’. Não há dúvida de que esse fator deve ser considerado ao analisarmos o histórico de um cliente, mas deve ser apenas um dos muitos fatores que levam à decisão de crédito. Histórico, como o nome bem diz, é um panorama a longo prazo das boas e más decisões financeiras de cada consumidor. Ou seja, alguém que paga regularmente todas as suas contas, ao deixar de quitar uma delas, receberia o benefício da dúvida.
Nos Estados Unidos, por exemplo, este histórico é tão forte que é levado em consideração pelos consumidores a todo o momento. Os americanos sabem na ponta da língua o que ganham anualmente de salário bruto e líquido, incluindo benefícios, e o quanto de suas rendas poderiam comprometer em compras maiores, tais como o aluguel de um apartamento mais caro, uma reforma ou a compra de um carro. Cada um zela por seu score de crédito individual, que aumentam ou diminuem conforme o comportamento financeiro do consumidor.

Cenário recente

Nos últimos três anos, as fintechs, empresas híbridas de finanças e tecnologia, têm aberto as portas do país para o conceito de Cadastro Positivo. Ao nascer com a análise de dados em seu DNA e levando em consideração um grande volume de fatores para compor um verdadeiro panorama sobre o perfil de cada consumidor, estas companhias conseguiram incluir muita gente no sistema financeiro que antes era deixada de lado. Além disso, empresas tradicionais como o SPC e Serasa Experian, começaram a oferecer também o serviço de banco de informações de adimplência, ou seja, de contas pagas.
Apesar de importantes, esses ainda são os primeiros passos rumo à instituição de um Cadastro Positivo no Brasil. No futuro, temos a expectativa de que esse sistema esteja disponível para todas as instituições financeiras certificadas pelo Banco Central e reúna todas as compras e movimentações financeiras feitas em um determinado CPF. Com ele, consumidores com um bom histórico de crédito poderão receber ofertas melhores de taxas, customizadas de acordo com o seu perfil de risco. Se beneficiariam também pessoas que, mesmo com o nome temporariamente sujo, costumam pagar todas as suas dívidas em dia. Além disso, o banco de dados evitaria que um mau pagador ou fraudador conseguisse empréstimos em diferentes frentes, não permitindo que adquirisse dívidas que não poderá quitar.

Cadastro Positivo: menos burocracia

Outro ponto-chave do Cadastro Positivo será a diminuição da burocracia para o consumidor ao adquirir um item de alto valor, solicitar um limite maior do cartão de crédito, empréstimo, financiamento ou subsídio. Isso porque o cidadão já teria um histórico traçado e não precisaria reunir tantos documentos. Além de melhorar a experiência do usuário, o dinheiro estaria sendo melhor distribuído e teria maior fluxo, sendo reinvestido mais vezes e acelerando a economia. Positivo para todos!
*Rogério Cardozo é diretor-executivo da Enova no Brasil
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